terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Cartas - quinta

---------------- coleção de cartas não entregues ----------------

V


Não quero remoer o que aconteceu, já foi e não acho que teve certo ou errado, posso dizer verdadeiramente o quanto foram impulsivas e desesperadas minhas ações, de fato agi de forma desrespeitosa contigo, e acho que lhe pedir desculpas seria hipocrisia de minha parte, levando em conta que já está feito, mesmo que impensado, mas está e ainda é muito recente.

Eu não soube lhe dar amor nem lhe tratar de forma respeitosa, eu não te amei, apenas agi como um louco apaixonado fora de mim, mas quem nunca fez coisas por impulso e desespero em momento de paixão que atire a primeira pedra, o quão delicada é toda essa situação, mas não estou aqui para nos julgar, tem sido difícil durante essa semana encontrar as palavras para lhe dizer, eu apenas lamento ter machucado alguém de estima importância, ferido no mais profundo, arranhado o disco de nossa relação de afeto e amizade. Deixo ao seguinte trecho de cartas ao jovem poeta exprimir algo que nem sei se é o que desejo exprimir:

"Até o comer, os homens transformaram em algo diferente: a carência de um lado, o excesso de outro perturbaram a clareza desta necessidade; e todas as necessidades elementares em que a cidade renova tornaram-se igualmente turvas."

Segue também o conto 'e a brisa sopra' por Marina Colasanti:

"Ao amanhecer, quando vindo do mar começava a soprar leve vento, subia o rapaz no alto daquele prédio, e empinava a pipa amarela. Batendo o tênue corpo de papel contra as varetas, serpenteando a cauda, lá ficava ela no azul até que o final dá tarde engolia a brisa, halitando então a terra sobre o mar, e descendo o rapaz para a noite.

Assim, repetia-se o fato todos os dias. Menos naquele em que, por doença ou sono, o rapaz não apareceu no alto do terraço. E a brisa da manhã começou a soprar. Mas não estando a âncora amarela presa ao céu, o edifício lentamente estremeceu, ondulou, aos poucos abandonando seus alicerces para deixar levar pelo vento."

Espero que esteja bem.

seu,
Jeferson Denzin Barbato

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