domingo, 22 de janeiro de 2017


Juntos deitados sobre a grama, pensando na vida, um do outro, ouvindo suas músicas e em poucas palavras, a melhor conversa das últimas semanas aconteceu, a noite fria servia de cobertor para aquele imenso céu estrelado, correndo no estacionamento, você subia degrau por degrau e nossos corações batiam de adrenalina, eu por baixo, você por cima, tão alto que a vista não alcançava, tão longe que o som da sua voz dispersava pelo espaço, corríamos na chuva, e os gritos de liberdade que embalavam os passos velozes, agitavam nossos corpos, esquentavam nossas narinas, a roupa molhada pingava, assim como nossos cabelos caídos escorriam. Caminhávamos vestidos como a sociedade não aceita, vestidos como nossa vontade mandou, vestidos, longa bata, vestido de longo amor, eu com longas madeixas ainda presas que por trás você registrava, pulando a valeta num caminho errado, certo caminho errado, cuidado! Andávamos em direção a minha carona, iria voar para meus pais, você ficou, mas deixou comigo você e alguns biscoitos de nata.

Acordo amaçado nos últimos dias que antecedem o natal, ao preparar o café, me deparo colocado sob a porta de minha morada, um papel fotográfico, nele estava escrito com caneta esferográfica preta, numa grafia tímida e arredondada: "um fotograma para você jef! feliz 2016" seguido de seu nome, datado 21/12. Você sovava a massa, eu preparava o molho, temperado por ti, a massa cortada em pequenas tiras por mim, cozida em água fervente, aplausos, para a macarronada mais saborosa de minha vida, e a cor do molho, incrível como seu sabor, tomates tão vermelhos, tão fresquinhos. Eu desejo testar uma receita, vi uns bolinhos na internet, e gostaria de tentar prepara-los, façamos juntos, claro, e como que por mágica nascem os cake pop's, crocante por fora, macio por dentro. Rua "imbrainha", diante do calor infernal da cidade que nos acolhe, você gravava um vídeo meu tomando banho no tanque de lavar roupas, você deitado ao meu lado, empolgado por me mostrar seu filme favorito, eu adormeço, mas a culpa não é do filme, e sim de meus preguiçosos olhos. Sinto cheiro do chá de gengibre, agora neste momento que eu mais preciso, como está você?

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