III
jardim secreto
uma fenda no caos
nos acolhe em seus tons esmeralda
e pontiscos de amarelo mostarda
grilos, borboletas, passarinhos
se esbaldam nesse canto verde
no chão que pisamos
pedriscos cor de centeio
um a um, rodopiam para os lados
a nos ver passar
em passos curtos e atentos
rastro cravado
lá no canto mais distante
o aroma de boldo
apetece nossa cede de mato
e no fim desse caminho rasgado
sobre a linha de trêm fantásma
atento diz o colibri:
- quero tirar uma foto aqui
respiro tão profundamente como
se o ar fosse acabar.
- veja esse céu amigo!
vassouras libertas,
de volta para as masmorras
carregados de acerola e nós,
nós e acerolas
o vento acompanha
seu lugar em nosso rosto
domingueiro.
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07 de fevereiro de 2016

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