sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Cartas - primeira

---------------- coleção de cartas não entregues ----------------

I

Prelúdio;
amarelo e azul
seus olhos sorriso, cremes presentes da avó 
cosméticos para a face, não ligue para elas 
você é muito mais que isso, espinhas não importam
pois o que vem de dentro diz muito mais sobre você.

Encolhido;
na mesa de jantar, mau sabia quanta habilidade seirá de ti
preparei tudo com carinho, você não queria dar trabalho
saiba: não foi trabalho algum, não foi trabalho algum
nasce uma nova árvore branca na terra
brota da união entre uma semente de biscuit e um coração discreto
deita e repousa tranquilo, o dia de amanhã nos espera.



Calado;
durante todo o percurso do ônibus que oscilava, 
ele mantinha os olhos grudados em seu livro, e os ouvidos atentos
à música que tocara em seus fones de ouvido
não pude acompanha-lo, mas o deixei em boas mãos
não pretendia sufocá-lo, e com paciência nos reencontramos
avisto-o, saltando cadeiras
afim de ficar mais perto de Marina, olhos e ouvidos atentos, 
agora numa mesma direção.

Grato;
no silêncio de alguém que muito tinha para dizer
as folhas de jasmim caiam num novo outono
seu lençol estendido sobre a cama com cuidado, 
axalava cheiro de roupa limpa
e o ônibus perdido, sozinho mais uma vez preferi lhe dar espaço, 
você fica mais um dia, 
e poderia ter ficado outro, e outro, e outro...

Cedo;
sua mala pronta para partir, e num abraço tímido, despedida
foi o que pude fazer por você, dei o meu melhor
deixei você entrar, para lhe duidar
voou o colibri, deixando um pedaço de si
marcado em linhas brancas e delicadas nos galhos da árvore de biscuit.


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03 de abril de 2015


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