terça-feira, 29 de agosto de 2017

O Som do Remador

Olha para os lados, balança seus olhinhos freneticamente, mas naquele barco só um remo rasga as águas,
rema, rema, rema,
desenhando no mar circunferências exatas que e(s)coam feito água em ralo de pia.

(O remo soa)

Uma batalha que não se trava sozinho,
dança de duplas em movimentos seguidos de um com o outro. 

(...mas e o outro?)

Soa mais, e mais...
jatos de água
escorrem por sua madeira de lei,
quanta responsabilidade remar sozinho.

Dançar e dançar sem sair do lugar,
piruletas seguidas,
num mesmo sentido,
até c
          a
             i
                   r...

no som do remador. 


______________________________________
grato Loraine Miranda
💚

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

cartas - oitava








essa é uma carta em branco








sigo
(quase)
 seguro 
 do 
 amor 
 que 
sinto

____________________________________________________

Essa é a história de uma garotinha, ela colecionava as pessoas que dizia amar em potinhos de vidro fechados para protege-las das más influências da vida, e de tudo que há de ruim... Um dia, um terrível acidente acontece, e seu potinho favorito escorrega de suas mãos, cai no chão a se estilhaçar, a garotinha observa com uma pitada de dor, todos aqueles pedacinhos de amor guardados com tanto carinho voarem pela sala de sua casa, iluminando-a com luzes coloridas, cada uma brilhando em sua essência. Encantada com suas cores, rapidamente ela se põe a abrir todos os potinhos e deixar que a sala branca e sem graça se transforme num lugar colorido e brilhante.




Vivas os potinhos vazios!



Penso que em uma viagem ao desconhecido, eu sou a dúvida, criando na minha mente situações do: "se" aos "por quês". Tento me livrar dessas inseguranças que me assolam, almejo coragem para com os desejos da carne e firmeza para com as necessidades da alma, mas preciso de certezas, que não encontro.




Na disciplina da atitude e da intensão eu sou kōhai, tentando dessa vez, e de novo, e de novo renovar meu caís, o porto seguro acho que encontrei, mas tenho atracado lentamente para que o mar permaneça tranquilo e não se desespere com os meus movimentos, pois o balanço brusco das ondas podem me impedir de unhar a âncora no fundo da vaza. 

O desejo que sinto pelo meu amado é um oceano profundo e incerto, e ao mesmo tempo certo como o farol do porto, uma dualidade que me faz fraquejar nos momentos em que estamos a sós. O corpo, curvas, dobras, líquidos e veios me deixam em estado de inércia, como imãs se entrelaçam no mundo das ideias, mas no mundo "real", insistem em ficar de lados opostos, busco formas para reverter este cenário, me perco em viagens temporais, faço fendas no destino, e traço alguns descomeços, para assim começar de novo.


____________________________________________________